Não deixem de ler as Frases da Semana, na íntegra, no site da Gazeta do Povo. E, logo abaixo, a versão em vídeo apresentada pelo dileto, distinto e donairoso Paulo Polzonoff Jr.:
Na véspera do segundo turno, a velha e conhecida Festa da Democracinha rolou a todo vapor, quebrando tabus, paradigmas e o sigilo fiscal, verbal e manicomial da República. Assim, os candidatos subiram ao púlpito sob o pretexto de debater entre si, mas quem acabou apanhando mesmo foi o incauto eleitorado.
Enquanto o ex-presidiário Lula da Silva e a sua facção faziam das tripas coração para virar votos — mas conseguindo apenas virar motivo de chacota —, o expediente da semana registrou um espetáculo dantescamente kafkiano.
Começamos com um furo de reportagem capaz de alterar os rumos do pleito. Durante o debate promovido pela Band, o candidato Flávio Bolsonaro foi flagrado pelas câmeras, ao vivo e a cores, espancando violentamente um velhinho já meio gagá. Perguntado por Lula sobre as costas de quem haveria de recair o tesouraço, o Zeroum respondeu curto e grosso:
“Nas suas e nas da Janja” — Flávio Bolsonaro, o Flavinho Mãos-de-Tesoura.
Consultando os relatórios da OCDE (Organização para o Controle das Despesas da Esbanja), constatamos que somente os gastos de viagem da primeira-dama-de-segunda já empatam com o PIB da sereníssima República de San Marino.
Com um tesouraço dessa envergadura, o erário seria capaz de financiar não apenas o saneamento básico da população, mas até um saneamento Deluxe, VIP e Personnalité — permitindo ao contribuinte, num gesto de alívio histórico, puxar finalmente a válvula e dar a descarga em todaessaturmaqueaíestá.
Cansado de apanhar no debate e sentindo-se vítima de bullying nas mãos do adversário, Lula resolveu apelar e contar tudo para a tia da bancada:
“Se ele estiver zombando de mim, eu quero direito de resposta” — Lula, vítima de bullying.
Faltou a Flávio o devido respeito ao oponente: convém recordar que o veterano estadista (do estado líquido) já puxava cana — na mais diversas acepções da expressão — enquanto o Bolsonarinho ainda nem sequer havia saído das fraldas! De mais a mais, se a cada vez que Lula zombou da cara do eleitor o povo brasileiro ganhasse um direito de resposta, o debate de 1989 estaria transcorrendo até hoje.
Ao que tudo indica, a sova retórica sofrida pelo presidente foi de tal monta que o bilontra esqueceu o caminho de casa, do tríplex do amigo e até o nome do próprio filho quando a conversa enveredou pelos esquemas do INSS:
“Quem?” — Lula, pai do Lulinha.
É sabido que toda família brasileira possui aquele parente complicado, sempre metido em mutretas e negócios escusos, que a parentada finge não conhecer. No clã dos Lula da Silva, esse papel historicamente sempre coube ao próprio patriarca, mas os fatos demonstram que o Lulinha já reúne todas as credenciais para sucedê-lo à altura! Se bem que, diante dessas quebras de sigilo altamente suspeitas que o mandatário andou sugerindo, não causará espanto nenhum se amanhã o Palácio do Planalto divulgar uma nota oficial revelando que o Lulinha, feitas as contas, é filho do Bolsonaro.
Todo lampeiro e saidinho, Lula novamente fez questão de demonstrar que jamais desamparará o seu curral eleitoral mais devotado, voltando a defender o sagrado direito dos hóspedes do sistema penitenciário à famigerada “saidinha”:
“Não é porque um cidadão cometeu saiu e cometeu um erro, que você vai punir milhares de pessoas” — Lula, saidinho.
A sintaxe tropeça na saída, mas a intenção avança com desenvoltura. O único inconveniente é que tamanha beneficência não se estende às famílias das vítimas desses infelizes “erros” — até porque a burocracia forense ainda não inventou um alvará de soltura que permita às vítimas dar uma saidinha do cemitério para visitar a família no Dia das Mães.
A propósito de indultos e licenças: quando é que termina, afinal, essa saidinha prolongada do Lula?
Esbanjando o habitual garbo e a fina elegância das barraqueiras mais tarimbadas do Piscinão de Ramos, a primeira-dama Janja Lula da Silva — a princesa consorte famosa pelo seu sereno destempero — trepou num trio elétrico durante uma carreata pelas Alterosas para bater boca com um manifestante e sugerir uma manobra arrojada e de alto risco: a dedada do amor.
“Colega, pega esse dedo, enfia no coração! Aqui é só amor” — Janja Lula da Silva, dedo-duro.
Analisando os autos com isenção científica, é preciso reconhecer que, diante do vasto repertório de ofensas anatômicas, cardíacas e proctológicas que a primeira-dama costuma proferir em público, a recomendação mineira até que foi das mais comportadas.
Ainda assim, sugerimos que dona Janja Parker-Bowles aproveite o ensejo anatômico para pôr a mão naquele lugar sujo, escuro e mal-lavado — a sua própria consciência — e trate de guardar um mínimo de decoro compatível com a liturgia do cargo.
Nas considerações finais do debate da Band, Lula resolveu encarnar o Nostradamus do ABC e cravar, ao vivo, uma profecia apocalíptica de fazer arrepiar as escamas do Cacique Cobra Coral:
“E neste quarto mandato, a gente vai dizer: ‘O Brasil acabou’” — Lula, meteoro do amor.
Para os céticos da oposição que acusavam Lula de não apresentar um projeto claro de governo, aí está finalmente uma promessa de campanha que nenhum TSE poderá tachar de fake news! Resta apenas uma dúvida metódica: quem é o brilhante estrategista que anda treinando o presidente para os debates televisivos? O próprio Joe Biden?
Por fim, Daniel Vorcaro, o enroladíssimo ex-dono do Banco Master, foi a estrela de novas mensagens vazadas, flagrado no exato momento em que encomendava uma raríssima garrafa de uísque pela bagatela de meio milhão de reais — mais cara que o Rolex presidencial —, tudo com o nobre propósito de agradar a um bróder muito especial:
“Vou dar pro Lula” — Daniel Vorcaro, o Pixuleleco.
Ninguém sabe ao certo que substância os highlanders misturaram naquele malte, mas a ressaca moral revelou-se bravíssima: de um lado, o Vorcaro anda tendo essas ideias estranhas e fantasiosas a respeito de Lula; de outro, o destinatário confessa que bebeu o líquido, mas depois não se lembrava de quem lhe entregou a garrafa.
Diante de tamanha ingratidão, o mínimo que se espera do chefe da facnação é providenciar uma garrafa de 51 de boa safra para o Vorcaro degustar lá na Papuda. Quem sabe durante uma visita íntima, para que os dois bróders possam conversar inteiramente à vontade — tudo fora da agenda oficial, naturalmente!


